segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Frutos e pragas - o que colhi e o que luto contra

Estamos aí, com 11 meses e meio e eu tava fazendo um balanço das escolhas que eu fiz - e consequências delas - desde quando engravidei e me tornei mãe na prática.

Eu sempre li muito sobre maternidade, estudei, vi pesquisas, busquei ver lados opostos, lados similares, etc. Aí engravidei, estudei mais ainda e passava tudo pro Marco Túlio, cujas opiniões batiam e batem com a minha. Então foi fácil seguir nossos instintos e vontades e traçarmos um caminho a seguir. Se o pai da criança está de acordo com você, se vocês chegam num equilíbrio, tudo tende a fluir muito bem.

Aí eu tava vendo tudo que esse caminho me trouxe e perto de nós 3 completarmos 1 ano de nova vida, vi que colhemos alguns frutos. Mas também enfrentamos muitas pragas.

Dos frutos:

- Aguardar entrar em trabalho de parto para que Alice nascesse quando quisesse: foram umas 12 horas de contrações doloridas. Fui para a cesárea quase parindo e o resultado foi um bom amadurecimento dos pulmões dela, graças às massagens das contrações. Ajudou muito na descida do leite.

- Falando em leite, depois das dificuldades (onde cheguei a ter momentos em querer desistir), consegui amamentar até aqui e pretendo continuar. Aprendi que a GRANDE vacina que iria prevenir Alice de doenças seria o meu leite. Li que o GRANDE causador de alergias, entre elas pulmonares, em crianças é o leite de vaca (leia-se NAN e similares). Então eu mentalizava a cada amamentação - e faço essa mentalização até hoje - que estava passando cura para tudo naquele líquido. Coincidência ou não, Alice nunca resfriou, gripou ou teve algo parecido. De doencinhas ao longo de seus quase 12 meses, teve infecção urinária, vômitos aos 5 e aos 11 meses e 1 dia de diarréia. Como eu li que bebês, inclusive os amamentados exclusivamente, podem ter até 10 resfriados no primeiro ano de vida, esperei por eles e me surpreendi que não teve nenhum!

- Dessas doenças, eu e o pai dela pegamos uma forte gripe e ela nada. Sarei rápido, logo eu que gripava umas 3 vezes por ano. Coincidência ou não, mudamos a alimentação desde gravidez. Claro, não somos radicais - se tiver sorvete e chocolate aí, pode trazer que como um tanto bom -, mas por conta da Alice, aprendi a valorizar cebola e alho, redução do sal, do açúcar e deixei de beber refrigerante. Acredito que parte do sucesso com amamentação e saúde da família foi fruto de hoooooooooras na cozinha fazendo nossa própria comida. Bronquite? Bronquiolite? Pneumonia?  Nunca passaram perto, desde que vi um vídeo com umas mulheres naturebas dando o seguinte recado: "pense 2 vezes antes de culpar clima, germes e vírus quando seu filho, que consome açúcar e industrializados estiver doente". Ah! E olha, nunca na vida foi tão fácil emagrecer sem precisar me enfiar numa academia ou comer coisas diet.

- Cama compartilhada e berço ao lado da minha cama me descansaram daquela coisa de ter que levantar de noite e me trouxeram cura de angústias. Tem bebês que dormem a noite toda sozinhos, desde pequenino. Alice não é desses. Ela é desses que geralmente acorda de 2 em 2 horas desde sempre hahahaha. Então só esticar o braço pra ninar ou pra pegar e amamentar é muito bom. Me deixou mais feliz. E quando ela vomitou e engasgou, bem pequenininha, sem ainda conseguir se virar, eu ouvi na mesma hora, pois ela estava do meu lado. Durante o dia, dorme no quarto dela, mas a noite é minha e eu faço questão porque eu gosto e me sinto segura.

- A TELEVISÃO. Sou dessas contra. No que eu puder fazer para evitar que Alice fique na frente da TV para se distrair, eu farei. Já fiquei exausta, já cheguei a ligar, já delirei com TV, mas o problema é o seguinte: Bebês cansam a gente e como uma amiga (Mari dos States) comentou, a gente apela pra TV, but TV não acrescenta na-da. Mas cuidar da casa, roupa e comida é o que cansa mais e a gente confunde achando que é o bebê o "problema". Então, com muito custo e muita força de vontade, lutei contra a preguiça que tomava conta de mim e passei a deixar Alice passear na grama, terra, praça, e se sujar. Tirar a televisão emagrece mãe também, sabia? No lugar dela, tem mãe inventando brincadeira de dançar, de cavalinho, de engatinhar junto, de sentar e levantar e levar pra passear. Sem falar que desenvolve bastante a criatividade materna e paterna, pois é preciso inventar a cada 5 ou 10 minutos algo novo. Alice tem se desenvolvido muito bem e sua imunidade, espero eu, deve estar altíssima com tantas folhas e terras comidas hahahahaha oh, céus!

- Quarentena que durou uns 7 meses. Assunto íííntimoooooooooooooo. Mas nem sou dessas cheia de tabu, e como sei que muitas mães PRECISAM ver que não estão sozinhas, vou falar uma coisa: se já tem aí uns 8 meses que você não sente nenhumazinha vontade de transar, amiga, aproveite! Não se preocupe, não compre coisas no sex-shop, não faça curso de massagem erótica e não se culpe se tem vontade de fugir do marido quando parece que ele tá querendo algo além de um abracim. Os frutos que colhi foram: entender meu corpo, conhecer melhor o companheiro que acima de tudo me respeitou e muito, descobrir que calma é sinônimo de qualidade, que a gente reaprende muito e começa a se conhecer de uma outra maneira e que de repente, quando volta um desejo, somos muito mais maduras e tudo fica bem melhor. O meu relacionamento ficou bem melhor, porque vi que tinha um amigo calmo, cúmplice e pai paciente ao meu lado.

- A calma. Mesmo em meio a febre alta e vômitos, manter a calma, contar até 26 e tentar ouvir meu interior. Muitas vezes internamos nossos filhos sem real necessidade, trazemos mais infecções e aumentamos problemas. Sim, já levei correndo pra hospital e já liguei de madrugada pra pediatra. Mas vi que se eu tivesse só dado o peito, teria sido bem menos estressante. E, como a doida-do-peito-sagrado-curador, tudo que Alice tem, boto no peito e resolve. Vai entender.

As pragas:

- Ficar pesquisando receitas saudáveis e errar, porque eu nunca tinha cozinhado na vida, não é tão legal. Lutar para não cair no industrializado é difícil. Então tive grandes momentos frustrantes, de estresse e de ódio e muita comida jogada fora e perdida na geladeira. Por mais que lute contra jogar comida fora, há sempre comida para jogar fora.

- Deixar de fazer algum programa ou não poder participar de uma conversa por causa da amamentação ou porque tenho que ficar correndo atrás da Alice às vezes é ruim, pois sinto saudades de sentar e papear sem mais nada pra pensar. Então fica uma praguinha na cabeça martelando coisas ruins. Mas não deixo tomar conta porque sei algo muito bem: vai passar e vai valer a pena.

- A criatividade esgota, o bebê cansa, fica enjoado, a gente não sabe mais o que fazer, é choro, é gritinhos e é aquele pensamento: será que tô fazendo tudo errado? Será que estou sendo injusta em não querer ficar aqui sentada para brincar com ela? Será que tenho o direito em querer sair ou ainda não é a hora? E a indecisão toma conta e o baixo astral pega de jeito e a gente desiste de ter mais filhos e chega a desejar para que cresça logo e "eu volte a ter muito tempo pra mim". Então o bebê dorme, é algo lindo de admirar, tudo passa, você sente culpa atrás de culpa e promete melhorar depois que o bebê acordar. O bebê acorda lindo, sorridente, fofo demais, você vê que é a melhor coisa, passa uns minutinhos amassando a cria, vai trocar a fralda e começa uma gritaria e começa tudo de novo: onde tô errando? Não quero mais filhos. Não tenho tempo pra mim,... hahuahuahuhaahahahahah ô pragaaaaaaaaaaaaaaaaaaa essa bipolaridade!


Há muitos frutos e muitas pragas. Todo dia, toda hora. Mas esses que pontuei foram os mais marcantes para mim, porque envolvem questões pessoais, promessas de mim para mim. Sei bem o quanto é difícil cuidar sozinha de tudo e entendo perfeitamente quem recorre à televisão. Ou quem recorre a uma adoçada na comida só pra ver o bebê comer tudo e ganhar peso, pois a pressão é grande. Porém, eu não quero isso em minha família e ao mesmo tempo nunca direi nunca. Cada uma é cada uma. Tô aqui, com esse post, para mostrar que é possível certos sacrifícios durante 1 ano e que valem a pena. Espero que ninguém jogue praga e que a Alice não pegue o maior resfriado do ano, que fique internada e que passe 3 horas vendo Galinha Pintadinha.

Grande parte dessas conquistas foram graças ao meu esforço a ao apoio de toda a família. Ser mãe sozinha não dá certo, pelo menos pra mim. Ajuda é a melhor coisa que existe e quando preciso mesmo, eu aceito.

Espero que um dia, daqui muitos anos, eu releia isso tudo, todo esse blog cheio de desabafos, de erros, de acertos, relatos de privações, relatos de novas liberdades e veja que tudo realmente valeu a pena.


Dizem que vale.









sábado, 2 de agosto de 2014

11 meses, 11 meses, 11 meses

                                                           Alice em seu escritório


GENTE! Nossa.... ela completou 11 meses! Olhaí onde chegamos.
Esse décimo mês dela foi bastante nostálgico. Cheio de lembranças dela recém nascida. Fotos, vídeos, toda hora a gente tava vendo algo, relembrando coisas....

E nisso, Alice:
- Aprendeu a tirar e colocar coisas dentro de outras.
- Ficou em pé sozinha por alguns segundos algumas vezes.
- Teve umas crises tipo de TPM. Começou a ficar brava, protestar, fazer broncas com birrinhas e choros...
- Gengiva de cima rasgou com 2 dentinhos prontos para crescer. E agora um saiu pela metade, resultando uma neném de 3 dentes.
- Não gosta mais que as pessoas vão embora. Tem vez que eu só fecho a porta e ela parece achar que alguém foi embora e faz chorinhos.
- Quer abrir as portas, inclusive colocar chave na fechadura.
- Ranca meias e sapatos e começa a tentar colocar. Chega a ficar brava e apelar.
- Adora dançar e cantar em sua linguagem.
- Continua a falar "ô" de "alô", sempre pondo algo na orelha e "mamamá" "mamamã" pra mamar. E várias sílabas durante o dia.
- Acorda muuuuuuuuuuuito de noite, incomodada. Vai pro peito e dorme na hora.
- Algumas noites tivemos que sair com ela de carrinho pelo quarteirão pra ela dormir.
- Só quer comer com as mãos. Começou querendo pegar a colherzinha, agora é só com as próprias mãos. Se oferecemos, vira a cara. Tem vez que aceita de outras pessoas, desde que não seja eu, a comida via colherzinha.
- Só quer comer se for algo mais seco e durinho. Mamão que ela amava, põe na boca e cospe ao sentir a textura.
- DETESTA qualquer tipo de cadeirinha que fique no carro. Não é fã, de maneira nenhuma, de passear de carro.
- Continua batendo palmas, dando tchau, apontando pra tudo quanto é coisa e dizendo "ó".
- Começou a tentar morder. Geralmente depois de ganhar beijos.
- Agora para cortar sua unha, é preciso muito teatro.
- Desde os 5 meses a troca de fraldas tem sido difícil, mas agora é tipo guerra.
- Esperneia pra ir pro chão e sair engatinhando.
- É louca com o escritório aqui de casa. Sabe que não pode entrar, pois é cheio de fios e tem o computador, então protesta para poder entrar.
- Gosta de andar com a gente segurando suas mãozinhas.
- Está tendo uma risadinha diferente.
- No finalzinho do décimo mês tem gostado de uma bonequinha, com direito a sorrisos e abraços na boneca.
- Está bem carinhosa.
- Tantas mudanças.... desenvolveu muito rápido.


E aí a vida tá indo, ela aqui no nosso ritmo e a gente no dela. Tivemos momentos bem cansados, porque às vezes é difícil entender tantas mudanças e não conseguimos compreender o que acontece com nossos bebês. Percebi que Alice ficava bem nervosa dentro de casa e comecei a passar umas tardes na minha avó e o estresse dela sumiu 100%. Novos espaços para explorar, plantas, passarinhos e ela voltou a ficar em paz. Eu e o pai dela estávamos bem cansados dos gritos e aí muda um detalhe e tudo melhora.
Não sei, mas acho que não existe nada intenso como a maternidade/paternidade. É aí que a vida começa MESMO. É aí que começamos a deixar de lado o egoísmo que a gente nem sabia existir dentro do nosso peito. É muito estranho, não sei nem explicar. Agora rumo aos 12 meses!





Feijão com orégano e azeite. 



Flagra: Acordou e ficou brincando. 



quinta-feira, 17 de julho de 2014

Mãe e filho: uma ligação mais forte do que pensamos

Eles são nosso reflexo. Somos o reflexo deles. Uma bola de neve.
Ausência, cansaço, doença. A mãe cai de cama para não ver seu filho doente.
O filho cai de cama ao ver sua mãe ausente. Doces. Doces servem para acolher. Doces substituem o contato. Mais balinha, mais balinha, mais balinha. Nunca é o suficiente.
Mistura de situações. Um lar para arrumar. Um filho para olhar. Um marido a trabalhar. A mãe que trabalha fora, o filho que aprende com outros, com a TV. O filho adoece e a mãe fica em prantos.
Alguém, por favor, abrace esta mãe?
Tudo é uma bagunça, a pobre mulher já não sabe mais por onde começar. Cozinhar, lavar, passar?
Então o bebê vira o reflexo do desespero. Alguém abrace esta mãe e lhe faça companhia, por favor.
Uma bola de neve.

Ela se sente sozinha, resolve mil problemas por telefone, na frente de um computador. Uma mensagem no celular diz que a filha arde em febre. Tosse. Nariz escorrendo. A filha pede pela mãe. A mãe pede pela filha.
O bebê grita. O bebê morde. A criança cai de cama.

Sintonia. Desespero. Tempo.
É preciso um tempo. É preciso oportunidade para colocar tudo no lugar.
Desligue. Desligue o computador. Desligue a televisão.
O bebê quer se conectar. O serviço doméstico não tem fim. É mais difícil do que imaginado. Solidão.
Solidão da mãe, desespero do bebê. Nariz escorrendo.

A mãe que falar, talvez gritar. O filho tem a garganta inflamada.
A mãe quer ser livre, a mãe quer suspirar. O filho tem pulmões chiando.
A mãe quer que alguém a ouça, a acolha, a veja. A criança está com dor de ouvido.

A ligação é forte, mais do que podemos imaginar.
São tantas cobranças. Mães se cobram tanto.
Mães precisam de outras mães. Precisam de aconchego, assim como sua cria.
Um carinho. Uma ajuda. Um tempo. Uma pausa.
Tudo parece bem, mas nem tudo está tão bem.

A mãe esconde, às vezes de si mesma, mas o filho põe pra fora.
O corpo fala. Mãe e filho são um só. Forte ligação. Conexão.
Bola de neve. Mãe perde forças, o bebê a acolhe com um sorriso.
Mãe perde forças, a cria mostra que é preciso pausa e adoece.
Bola de neve. Tudo se acumula.

Que todas as mães tenham ao lado um companheiro para abraçá-la.
Uma mãe para acalmá-la.
Uma amiga para escutá-la.

Que todas as mães consigam apoio para ganharem forças. E que busquem este apoio. Que não se entregue ao declínio. Que mude o que atrapalha. Que tenha coragem.

Uma mãe amparada, um filho que sorri sem dor.

Imagem daqui. Seja como for nossa situação, nossa realidade, nosso modo de ser,
somos mães e todas merecemos condições respeitosas para conseguirmos nos doar com sanidade
e equilíbrio. Se não encontramos apoio, nem respeito, cabe apenas a nós mesmas, mais ninguém, mudar
a situação. Força para todas nós!





quarta-feira, 2 de julho de 2014

Para Alice

Alice,
hoje, quarta, dia 2/7, você completa 10 meses. Daqui 2 meses tenho uma neném de 1 ano em casa.
No último domingo o vizinho escutava uma música muito ruim, aí seu pai disse para colocarmos outra música no nosso som para abafar a do vizinho. Escolhi um CD bem velho, dos meus 17 anos, com músicas que eu só acho legal porque era legal na época. Como de costume, te peguei no colo para dançar. Você adora quando a gente dança com você.

E enquanto eu dançava e cantava me lembrei daquela minha época adolescente onde meus "grandes" problemas, que pareciam super difíceis mesmo, eram aceitar o namorado que parecia gostar mais de vídeo-game do que de mim, qual faculdade fazer, ter ou não um relacionamento sério e alguns outros grandes problemas desse tipo.

Eu te vi sacudindo o bracinho toda feliz e ofegante e me dei conta de que um dia esses "grandes" problemas farão parte de sua vida. Então, quando chegar sua vez de enfrentar um fim de namoro, um vermelho no boletim, uma indecisão sobre a vida profissional, falta de dinheiro e até mesmo uma gravidez escapulida, quero que você saiba que você é mais forte do que imagina.

Alice, você está no início de sua vida e já tem coragem de engatinhar no escuro, sem ninguém perto. Já tem ousadia de querer comer sozinha, com a mão e com a colher! Fica em pé e fica na ponta do pé até alcançar o mais alto que deseja. Até cair você sabe. E levanta como se nada tivesse acontecido. Caiu da cama, chorou, mamou, enxugou as lágrimas e desejou, em seguida, voltar pro chão pra começar tudo de novo. Arrota que é uma beleza, sem ajuda, sem tapinha nas costas e, acredite, essa é uma grande conquista, pois teve tempo que passávamos um tempão tentando te fazer arrotar. Pode parecer bobo, mas não é. Essas conquistas são enormes para um ser humano aprendendo a viver.

Imagine o quanto deve ser difícil assobiar. Você consegue. Nesses últimos dias, você tem tirado os sapatos dos pés e lutado para colocá-los. Quer porque quer calçar sapatos e fica brava porque não consegue. É capaz de absorver tudo em sua volta e começa a nos imitar na maior naturalidade.

Isso é muito! É tanto que eu me entrego cada vez mais para conseguir te dar todo o suporte necessário para te ver conseguir crescer sem neuras. Sem preconceitos. Sem ficar ouvindo "não" o dia inteiro.
Quando você achar que não é capaz e que não vai dar conta, leia aqui e veja o quanto é ousada e corajosa. É curiosa! É comunicativa, de falar "ou, ou" para as pessoas te olharem. De esperar um sorriso e um afago de qualquer desconhecido. Esses dias você foi para o colo de uma vendedora que nunca viu na vida, e a abraçou amorosamente como nunca abraçou ninguém, nem eu, tem base?

E acompanhando isso tudo, perco medos, perco neuras - que não são poucas-, perco vergonha, porque eu vejo que um dia também venci tudo isso que você vence a cada minuto. A cada segundo vou ganhando um pouquinho de coragem para qualquer coisa dessa vida, porque você traz isso pra gente.

Parabéns pelos seus 10 meses de conquistas GRANDES para um bebê que só quer saber de viver.
Nunca se sinta fraca ou incapaz.
Sempre que precisar, estarei aqui.
Um beijo da sua mãe.

P.S.: Como chata que sou, a bolachinha ao fundo não é consumida pela Alice hahahaha


segunda-feira, 9 de junho de 2014

INSTAGRAM SALADA DE FRUTAS MATERNIDADE

Amigos blogueiros e leitores, fiz um Instagram pro Blog!

Eu já adoro Instagram, então fiz um só desses assuntos de mãe. Na verdade ainda não tem quase nada de assunto, porque acabei de fazer hahahaha Mas terá. Assuntos de mãe são comigo mesmo!

Então convido vocês para seguirem. E quem tiver, claro que seguirei também, pois adoraria conhecer mais de vocês além daqui do Blog e já falei que quero conhecer as mães e os papais um dia pessoalmente, né? Isso está nos meus planos.

O Instagram é esse: @saladadefrutasmaternidade



Depois tenho que ver, como que linka aqui no blog. Se alguém souber, aceito dicas.

Bjos!

terça-feira, 3 de junho de 2014

8 meses, 9 meses e vida indo

nossasenhoradaabadia que essa vida de dona de casa desorganizada + mãe tempo integral + pegando serviços + tentando ser algo além de amiga do companheiro tem mexido com meu emocional e tirado minhas sentadas na frente desse computador pra escrever e ler. Ufa!

Nisso, Alice fez 8 meses, fez 9 meses agora dia 2, bebês da blogosfera nasceram, bebês da blogosfera estão sem dormir, bebês da blogosfera foram para escolinhas, bebês saíram da escolinha e eu aqui no canto cheia de saudades desse mundo materno/paterno.

Larguei casa e louça enquanto Alice faz uma dormida maiorzinha no friozinho e vim ler tudooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo que tenho perdido. E também quero registrar aqui, para quando ela crescer e aprender a ler, como foi seu desenvolvimento aos 7 e 8 meses.

Alice completou 7 meses e dias depois ficou melhor em engatinhar. Em seguida, já quis ficar em pé se apoiando em tudo. Foram dias de tombos e choros. Até que ela ficou craque! Teve altos e baixos com o apetite. Aprendeu a apontar e apontava para tudo quanto é pessoa. Começou a praticar a sílaba "tá" e "té".
Aí, fez 8 meses e mostrou que tava boa mesmo em acelerar a engatinhada e que queria mesmo era ficar de pé. Adaptamos e mudamos todo o quartinho dela (depois faço uma postagem com fotos). Ficou um ótimo lugar pra ela brincar e dormir durante o dia (de noite ainda gosto dela dormindo comigo, ou na cama ao lado da minha ou entre eu e seu pai). Mostrou que sabe bater palmas. Aprendeu praticamente sozinha, porque a gente nunca foi de ficar na frente dela ensinado bater palma, ensinando falar, ensinando fazer tchau, essas coisas. Acordava de madrugada e batia palmas. Até nervosa, chorando, bate palmas.

Começou a ficar nervosa. Gana em morder tudo. Saliva escorrendo. Apetite caiu.eve um dia que vomitou umas 12 vezes. Gritou muito, ficou chorosa, acordava mordendo travesseiro, mãozinhas, ficava sem dormir, peito não resolvia.... nasceu dente! Finalizou seu 8° mês com 1 dentinho em baixo pra fora e um outro do ladinho rasgando a gengiva. A gengiva de cima tá SUPER inchada, deve vir mais por aí.

Agora tá com 9 meses. Começou fazendo exame de sangue e urina para ver se anda tudo ok (por causa da infecção urinária aos 6 meses). 

Adora brincar no seu quartinho. Adora brincar na casa inteira. Come papel e poeira. Passa boa parte do tempo marronzinha. Põe linguinha pra fora para tomar homeopatia. Continua dando bronca em algumas trocas de fraldas. Adora gritar. Aponta dedo para coisas e pessoas. Continua batendo palmas mesmo quando está sozinha brincando. Tá com mania se rir enrugando o nariz. Vai viajar de Lua de Mel com papai e mamãe.

A vida segue boa. Muito boa.
Eu sigo emagrecendo e odiando minhas roupas. 
Tem dias que tá tudo de pernas pro ar.
Tem dias que tudo é muito bom pra ser verdade.
Tem dias, quase todos ultimamente, que pareço enfiada numa TPM das fortes e não suporto minha casa com seus afazeres. Mães da blogosfera, vamos nos reunir pra rir e chorar tudo que temos direito? Só a gente sabe o tumulto de hormônios brincalhões que nos atacam, não é mesmo? Onde ceis mora??? Chama os papais também. Eles devem ter muito que desabafar entre si.

Mas tá tudo muito bom! Se alguém ainda tem dúvida se deve ou não ter filhos, eu digo: tenha!

Taí a dona Alice:


Banho em pé é bem melhor.






Sweet Alice


domingo, 11 de maio de 2014

Sobre ser MÃE

(dando uma pausa na minha ausência por aqui porque eu precisava escrever)

Nas primeiras semanas com a Alice aqui em casa, após chegarmos do seu nascimento, me vi sem identidade, querendo voltar logo a trabalhar, a sair de casa... desejei ser solteira de novo pra poder engravidar lá pelos 35. Desejava e passava horas com Alice no peito, porque por outro lado eu queria vencer a amamentação, já que no parto tinha fracassado (pensava assim). Estava enfiada em um luto confuso, não encontrava em ninguém uma forma de falar sobre o que se passava e escondia até de mim, pois me sentia horrível por não poder falar aquilo que ouvi tantas mães falarem: eu amei minha filha e me senti realizada assim que a peguei no colo.

Eu ainda não sabia que era super normal. Chorava todo dia. Toda hora. Me sentia escrava, sem recompensa e me perguntava aonde é que tava a tal da recompensa em ser mãe. O pai da Alice falava "ela é linda, não? Eu amo tanto, você também ama, né?" E eu abaixava a cabeça e dizia que sim, mas eu não sabia o que eu sentia, eu só queria me olhar no espelho e me reconhecer.

Eu me doei 300% naquela época para conseguir dar o melhor pra ela. Eu dormia na poltrona de amamentação e acordava depois de algumas horas com o pescoço dolorido escutando o ronco do namorado, que dormia profundamente ocupando todo o espaço da nossa cama. Eu chorava porque eu queria estar lá naquele lugar confortável também. Eu sentia minha cicatriz arder e chorava porque eu não conseguia me conformar com o nascimento dela. Eu a colocava no moisés, ela acordava e lá estava eu de volta na poltrona. Eu precisava mostrar que estava feliz, eu precisava conseguir falar que eu a amava, todas as mães falavam isso com a maior naturalidade pelas fotos que eu via no Facebook e muitas vezes me forcei a postar algo para me sentir "normal".

Para piorar, pediatras vieram me dizer que meu leite não era suficiente. Eu não podia fracassar mais uma vez! Era óbvio que eu amava aquela criatura que berrava em meus ouvidos. Seus berros eram simplesmente meus berros ocultos e não berros de fome. Ou eu afundava de vez ou eu superava. Superei. Pós parto, puerpério é uma loucura. Com ela pendurada no peito, passei a apreciar madrugadas. Com ela pendurada no meu peito, tive a oportunidade de ver chuvas que ninguém via. Vi sol nascer por dias. Seus berros sumiram. Meu leite era mesmo suficiente. A amamentação exclusiva, ninguém me tiraria. Não é que eu não a amava, é que eu ainda sentia que eramos uma só. Era óbvio esse amor, já que eu me amava e não precisava falar "eu me amo" o dia inteiro. Alice tinha saído de mim de forma brusca, mas eu não tinha tirado ela daqui ainda.

Foi mais ou menos 4 meses depois do seu nascimento que ela nasceu pra mim e até hoje está nascendo, bem aos poucos. Ainda acorda durante as noites. A gente se olha, ela vai pro peito e eu apago. Ela apaga. Aprendi a amamentar deitada e muitas vezes acordo e vejo que ela acabou dormindo lá no meio da cama, entre seu pai e eu. Parei de ver as acordadas na madrugada como sofrimento, parei de reclamar e me conecto com ela a cada resmungada, mesmo que seja de hora em hora por causa de dentes, de calor, de frio ou de qualquer coisa só pra me falar: mãe, tô aqui, viu? Ou: mãe, preciso de você agora, rapidinho.

Hoje continuo me doando 300%, 1000%. Me entrego além dos meus limites. Virei uma fissurada em maternidade, muito mais do que eu já era. Estudo como nunca estudei na vida sobre tudo que envolve filhos. Aprendi a amamentar e a cozinhar. Deixei de trabalhar fora, deixei meu emprego.

Tenho passado novamente, depois de 8 meses, pela fase de me olhar no espelho e não me reconhecer. Não me reconheço nas roupas, no cabelo, no estilo de vida. Me sinto realizada, mas me sinto só.
Não sei falar de outros assuntos que não sejam filhos, saúde de filhos, alimentação de filhos. Penso que os outros devem me achar chata. Não largo Alice por mais de 2 horas, é difícil sair com amigos como antes. Não estou preparada para isso e muitas vezes em alguns encontros, preciso de um canto para amamentar, trocar fralda, ninar para dormir. Essa é minha vida agora. Uma vida que amo, que quero por muito tempo e que me traz conflitos. Sinto falta de conviver com outras mães. Vejo o marido saindo com amigos, mesmo que seja bem esporadicamente, e me sinto só, sinto com vontade de pedir que não vá e me sinto egoísta. Mas como posso ser egoísta se sou mãe? 

Ser mãe é o maior desafio que um ser humano pode passar na vida. 

Feliz Dia das Mães