terça-feira, 8 de abril de 2014

SETE


                                                                   7 meses de Alice.

E por coincidência fui marcada numa tag, pelo paizão Jorge do Em Nome de Pais de Múltiplos, cujo blog eu adoro ler, para falar sobre 7 coisas que mais gosto.

Antes quero falar um pouquinho sobre Alice, para que eu registre que:

  1. no final dos 6 meses seu apetite aumentou e agora ela come tudinho (acho que ela andava mal por causa do antibiótico que estava tomando).
  2. por mais que eu e todos sempre fizemos tudo certinho na troca de fraldas, ela teve infecção urinária, tratada com antibiótico e paciência e amor e carinho.
  3. está mandona e aprendeu que é legal jogar as coisas no chão e até ri quando me vê catando (e eu adoro).
  4. quase engatinhando.
  5. faladeira o dia inteiro.
  6. um doce de neném. risonha. fofa. cheirosa.
  7. o cocô está muito fedido. socorro. socorro. socorro.
E sobre as 7 coisas que eu mais gosto (que difícil, podiam ser 17 ou 27 hahahaha):

  1. sexo. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, mentira. Foi só pra descontrair, pois eu nem sei mais o que é sexo. O que é sexo? Feminino e Masculino? Não vou falar também que é a Alice e amamentar porque é clichê. Então, a coisa número 1 que eu mais gosto é ler blogs sobre maternidade/paternidade.
  2. ler blogs sobre receitinhas para papinhas de bebês.
  3. ver vídeos/ler relatos de partos.
  4. falar sobre maternidade.
  5. lavar a cabeça no banho.
  6. beber água.
  7. juntar amigos e criticar os outros, tipo críticas construtivas pro bem da pessoa, mas sem avisar a pessoa (é meu defeito. Mas eu sou legal e reconheço meus outros defeitos).
É isso! Nunca participei dessas coisas de tags, blogagens coletivas, porque eu nunca consigo postar com frequência, mas gostei desse negócio. 

Alice ama morder tudo e nadar:



 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A tal da Introdução Alimentar

Quando Alice tava perto de fazer seus 6 meses eu comecei a ler de tudo sobre introdução alimentar.
Pesquisei, pesquisei e fui me empolgando. Fiquei toda animada e ansiosa pra começar a dar frutinhas, papinhas, água.

Aí ela fez 6 meses. E eu fiquei perdida. E esperei a consulta ao pediatra pra ver como  começar, que horas começar. E o pediatra passou tudo explicadinho, receitinhas. E eu baixei o arquivo da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre Introdução Alimentar e fiquei até tarde da noite lendo e montando um resumo pra eu aplicar por aqui (quem quiser, eu passo, mas já aviso que é para mães dispostas a abrir mão de sucos, açúcares, etc). Pronto! Tinha todo o esquema em mãos, cardápio e horário para iniciar com frutinhas durante 1 semana.

Alice só fez careta. Cuspiu tudo. A maçã parecia limão.
A preguiça chegou e tomou conta de meu corpo. DEUSDOCÉU, é muita sujeira. Lava pra dar comida, lava depois da comida. Lava bebê, lava cadeirinha, lava chão, lava roupinha e babador pra não manchar. Sem falar que Alice agora vive no chão, então tem a nova cor marrom que tem que lavar também. Oh, God.

Ao mesmo tempo Alice começou a acordar de madrugada e não dormir mais. Seria o tal do pico do crescimento? Lá ficava eu pelas madrugadas brincando com ela. Durante o dia, ela dormia e eu caia no sono com ela, que acordava louca de fome e não aceitava frutinha coisa nenhuma, só queria peito. Enchia a barriga de leite, eu esperava mais tarde, saia tudo do horário, e compra fruta porque acabou e vamo pra rua, e passa da hora e adeus rotina pra menina aprender a comer.

Então, nesse tumulto, eu tava dando pedaços das frutas e verduras pra ela experimentar. Tava vendo métodos para bebês comerem com as mãos mesmo, pois alguns aceitam melhor. E ela odiou no começo - show de caretas, depois preferiu só comer assim. E engasgou. Mas deu tudo certo, só não pode desesperar, porém fiquei com medo de continuar.
Dia após dia, era a quantidade de uma colherzinha de sobremesa que ela comia, quando muito, dando birra pra sair da cadeirinha e mamar.

Botar a menina na frente da televisão pra ela distrair e comer? Não.
Botar mel, açúcar, geléia, bolacha triturada na fruta pra ela comer? Não.
Bater tudo e dar com leite numa mamadeira? Não.

Acho que se eu não tivesse estudado tanto, cairia nesse papo. O negócio é o seguinte, tem bebê que come um pratão de primeira ou de segunda e tem bebê que leva meses. Eu comecei a ficar ansiosa e isso só piorou. O jeito é relaxar, ficar calma e investir na paciência. Vi mães que passaram por isso e no oitavo mês o bebê finalmente começou a comer mais. Devagar e sempre, sempre pensando na saúde das crias, num é? Quem disse que introduzir alimentos é fácil? É igual amamentar: pra algumas mães é difícil no começo - e eu gosto do difícil.



Pra ficar mais difícil ainda,  um belo dia começa febre na menina. E no outro dia também. Febre atrás de febre. Noites em claro. Eu parecendo mãe de recém nascido outra vez. Voltamos ao pediatra: infecção urinária. Que dó que dá. Alice enjoadinha, chorosinha. Banhos durante o dia, remedinhos e, claro, falta de apetite.

Apesar do nó no coração pela infecção, é do difícil que eu gosto e vai dar certo! Um dia ela vai comer a quantidade de 3 colherzinhas de sobremesa, não vou desistir aqui.

Preguiça de fazer papinha. Como que eu faço? Eu tinha tantas receitinhas. Sono. Passou da hora. Hoje ela não comeu. Amanhã vai ser certinho. Dá o remédio, tá na hora. Tem que cantar, brincar, fazer graça, fazer careta, dançar pra dar o remédio. Vomitou tudo. Dá de novo. Nuh, cansei! Tem que dar papinha ainda? Lavar babador? Lavar a bebê? Oh, God. 

Aí começou a comer com as mãozinhas. Ela vê a gente comendo e quer comer da nossa mão. Ela mesma tá pegando a colherzinha e levando a comida na boca. Uai, 3 colheres! 4 colheres! 5 colheres! Uhuuuuuuuuuuuuuuuu! Tamo conseguindo!

Ainda temos um longo caminho. Água ela adora e tá aprendendo a beber sozinha no copinho com canudinho. Com as comidinhas, tô sem neuras, ela come o que conseguir e insistir e brigar com o bebê é a pior tática.

Enfim, maternidade/paternidade é sinônimo de paciência. E é pra isso que eu vivo hoje, não é? É!
#vemnimimintroduçaoalimentar

Claro, fotos desta nova fase da Baby Melancia comendo banana com as mãos:












terça-feira, 25 de março de 2014

Como cortar unha de bebês

Quando a Alice era menorzinha, até uns 3 ou 4 meses, não era muito difícil cortar as unhas dela, trocar fraldas, etc. Era algo tranquilo. Mas, depois dos 5 meses, tudo virou uma aventura.

Trocar fraldas é uma quase guerra. Colocar roupas também. Cortar unhas, um protesto do tipo: larga minha mãozinha!

Aí fui vendo uma forma dela ficar mais tranquila pra gente poder cortar suas unhas sem machucá-la. Até que tá dando certo colocá-la num local divertido (divertido pra ela) e ir conversando durante o processo.

Confiram esta dica no vídeo:



Obs.: Na época desse vídeo ela tava no meio dos seus 5 meses, mas a tática ainda funciona (ela tá pra completar 7 meses)

terça-feira, 18 de março de 2014

Alice 6 meses





Antes de falar dos 6 meses da Alice, quero agradecer aos comentários pelo Relato de Parto, tanto aqui pelo blog,quanto pelo Facebook. Me senti abraçada, não achei que fosse ter apoio e muita gente me ajudou com umas informações interessantes sobre Violência Obstétrica. Me fez bem publicar, me sinto melhor. Obrigada mesmo!

Nossa, que isso? Saudade de parar pra escrever e ler o blog de todos por aqui! Criança vai crescendo e trabalho aumentando, é isso?
Olha, quem acha que licença maternidade é férias, não sabe de nada, ainda mais para uma mãe (e um pai) sem babá. Ufa!

Enfim, no dia 2/03, Alice completou seus 6 meses.
Com 6 meses já pode passar repelente, pode passar protetor, pode colocar na piscina, pode começar dar papinha, pode dar água, pode ficar sozinha na pinguela do córrego da chácara do bisavovô.  É tanta mudança, né? Parece que o bebê faz 6 meses e vira outro!
Coincidência ou não, Alice quase virou outra mesmo! No decorrer do seu 5° mês até agora, 6 meses e meio, ela evoluiu muito! Sua coordenação com as mãozinhas está bem melhor, o acompanhar movimentos com os olhos também. Amanheceu um belo dia deixando as sílabas "dádádá" de lado e já fala os "mámámá" "nenenê", "bábábá", "mãmãmã" e "lá".
Está bem treinada para se arrastar no chão. Apesar de ainda não engatinhar (só fica de 4, mas balançando pra frente e pra trás, sem sair do lugar), se arrasta pela casa inteira, muda de cômodos. Geralmente eu deixo ela arrastar pra onde quer e a menina fica toda marrom. Fica mais firme sentada, mas ainda não senta sozinha q quando tem preguiça, se deixa cair.

Parece que descobriu que ao jogar as coisas no chão, as coisas voltam pra sua mãozinha com ajuda do papai e da mamãe que catam coisas o tempo todo e ela adora hahahahaha.

Continua bastante calma, simática, sorridente e não estranha nada nem ninguém. Esses dias fomos para uma fazenda de uma amiga e ela foi no colo de todo mundo, amou.

Está tendo uma reação da vacina dos 6 meses que já dura 4 dias. Tem febre, tá inquieta, não sabe se mama ou se senta, acorda de noite e não dorme (voltei a ter cara de sono da época de recém nascida dela). Fui ao pediatra e ele disse que é da vacina mesmo. Tomara.

E com essa reação, toda a história de Introdução Alimentar foi abalada. Ela começou com maçã, mas não foi muito com a cara da fruta. Aí foi pra banana e gostou mais, mas tomou vacina e com essas alterações de comportamento, só brinca com a banana e não come nada, força vômito, inventa engasgo (finge que engastou só de chegar a fruta perto, é uma graça!) e vira a cara. Então só insisto um pouquinho e paro de dar. O resultado é muita sujeira, muita sujeira, muita sujeira e muita sujeira. Aconselho os pais a não usarem babador, viu. Haja paciência pra ficar lavando e tirando mancha de frutas. Tô preferindo deixar Alice só de fraldinha, já que aqui tá muito calor, porque depois é mais fácil lavá-la.

Gente, 6 meses é pouco tempo numa vida, mas é muita coisa quando se tem um filho. Não vou dar conselhos, não quero ser clichê, mas pra quem tá com filho pra chegar eu insisto: aproveite sim TUDO. Se deixe cansar, aceite ajuda, se entregue. Não é brincadeira e realmente passa rápido. Deixa dormir no colo, deixa dormir na sua cama, deixa fazer manha, deixa serviços domésticos de lado, deixa a coluna doer. É só uma vez na vida e como dizem, a vida é curta.

Fiquem com fotos. Bjos!



Pai-cavalo


Aprendeu a desamarrar tudo no berço. Já desmanchou
os protetores e se enrolou e depois comeu o cortinado.

Preferiu comer banana com a mão.

Opa! Voltei só pra deixar aqui um vídeo com a Alice dando um recado para TODOS os leitores (com som):
video

quinta-feira, 6 de março de 2014

Relato de Parto

Fiquei pensando se escreveria ou não sobre o parto. Primeiro porque saí bastante sensível e abalada. Não foi nem perto do que eu pensei, do que eu poderia imaginar. Depois, porque eu moro em cidade pequena, muita gente sabe quem foi a médica e fiquei com medo de gerar problemas.

Mas se tem uma coisa que eu gosto de fazer é ler relatos de parto. Os ruins e os bons, porque sempre tiramos lições, exemplos, etc.

Então resolvi escrever o meu como forma de colocar pra fora o nó na minha garganta e para compartilhar com quem tiver interesse (acho que exagerei nos detalhes e ficou muito grande).

A vida toda eu me imaginei tendo um filho através do parto normal. A gravidez inteirinha e muito antes dela eu praticamente comia vídeos e textos sobre partos normais, naturais, humanizados e cesáreas também. E em meio a isso tudo, cada dia que passava minha decisão pelo parto normal era mais forte. Era esse o parto que eu queria para mim. Cada mulher tem o direito de escolher o seu, não é?

Com isso, a cada consulta, durante toda a gestação, a cada ultrassom, eu fazia a pergunta: vai dar certo o parto normal? Tudo tranquilo? E minha médica respondia que sim. Ela disse que fazia partos normais. Ela conversou comigo sobre a anestesia, caso eu sentisse muita dor, que poderia me acalmar. Conversamos sobre episiotomia, ocitocina, trabalho de parto, momento do estouro da bolsa, tudo. Tudo era explicado da parte dela, o momento de ir para o hospital, sem pressa, sem neura. Resolvi confiar nela, mesmo contra uma coisinha que lá no fundo do meu peito me alertasse.

Estava tudo indo bem, pois o meu plano cobria, eu não teria gastos. Defendi o parto normal com pessoas que se assustavam quando eu dizia ser essa a minha vontade. Imaginei um vídeo do meu parto, queria mostrar que sim, somos capazes e não é uma coisa de outro mundo.

Até que chegou o dia. Com 38 semanas eu já comecei a sentir algumas cólicas junto com contrações. Ainda não era nada, segundo a médica. No domingo, 1/9, dia em que completei 39 semanas, eu passei o dia com mais dores, mais inchada. Como na segunda de manhã eu tinha consulta resolvi esperar. De madrugada percebi algumas contrações de 20 em 20 minutos. Fiquei feliz. Esperava por elas! Queria sentir cada uma delas. Cheguei na consulta no dia seguinte, às 9 da manhã e a médica me disse que eu realmente estava em trabalho de parto, mas com pouca dilatação (foi aí que aquela coisa no fundo do meu peito começou a gritar. De tanto estudar partos eu já conhecia essa desculpa) e que a bebê poderia nascer naquele dia mesmo, ou então até uns 4 dias pra frente. Ok. E ela mandou a sua primeira cartada: “Mas eu tenho que viajar e não poderei te esperar. Então não tem mais médicos na cidade, porque eles também vão para esse mesmo congresso que eu. Só tem o fulano de tal que poderá te atender.” Segunda cartada: “Eu marquei esse congresso porque não imaginei que sua filha chegaria até setembro. Não tinha te falado nada para não te deixar aflita. Achei que em agosto ela nasceria. Vai pra casa e me fale de qualquer evolução.” E insinuou de marcarmos a cesárea para que ela pudesse fazer o parto.

O Dr. Fulano de Tal, que ela indicou, foi o Dr. que eu disse durante TODA a gravidez que nunca teria um filho com ele. E outra, no fim de Agosto, na penúltima consulta de pré-natal ela disse que a minha filha não nasceria antes de 1 de setembro.

Ela começou a mentir na minha frente e eu vi que tinha sido enganada o tempo todo.

Saí de lá muito brava! Fiquei brava comigo por ter ignorado meus avisos. Fiquei brava com ela. Fiquei perdida. Pensei em ir para Uberlândia, para qualquer lugar, tentar pelo SUS por aqui mesmo. Quando foi umas 11 horas da manhã as contrações aumentaram. Cheguei a ligar para um grupo de parto humanizado de Uberlândia, que me atenderam super bem, mas estava tudo tão em cima da hora e meu convênio não cobria. Com isso, eu precisaria de MUITO dinheiro de uma hora pra outra pra conseguir o tão sonhado parto.

Liguei para tudo quanto é médico daqui da minha cidade, pra ver se algum fazia parto normal, mas realmente todos iam para o tal Congresso. Resolvi voltar a ter esperança, mas comecei a ter medo e raiva.
Cheguei a voltar lá de tarde, as contrações estavam aumentando. Levei o relatório das contrações que eu havia cronometrado e ela passou o olho, não deu atenção. Me fez um dolorido exame de toque, disse que eu tinha dilatado pouco. Enfim, ela estava fazendo de tudo para eu mudar de ideia. Mais uma cartada dela: perguntou se minha mãe tinha conseguido ter parto normal, disse que a bebê estava alta, que eu estava demorando a dilatar, blá, blá, blá. Saí de lá já com o pedido de internação e com a recomendação de não comer muito, ou seja... (ela já queria que eu me internasse, mas eu voltei pra casa).

Ficamos eu e Marco Túlio cronometrando as contrações em casa. Eu ia pro chuveiro, deitava, comia, ele fazia massagem nas minhas costas. Estava bastante suportável e a bebê mandava sinais de que estava tudo bem dando suas mexidinhas dentro de mim.

No fim da tarde a médica me ligou perguntando se eu já estava indo para o hospital (olha a insistência!) e se eu estava suportando. Eu disse que tava tudo bem.

E comecei a chorar. Chorei desesperadamente. Chorei relembrando a cada consulta que ela me sorria dizendo que daria tudo certo e era mentira. Chorei relembrando de cada vídeo que eu vi, de partos que foram sucesso. Chorei pelos meus planos que estavam indo embora tão repentinamente, na hora H. Chorei por todas as vezes que eu fui contra uma cesárea desnecessária e eu me vi indo a caminho de uma. Chorei pelas dores que aumentavam e estávamos eu e Marco Túlio sozinhos, sem apoio, sem uma palavrinha de alguém falando que ia dar tudo certo. Os familiares ligavam o tempo todo perguntando se tava tudo bem com tom de preocupação. Ninguém conseguia passar uma pequena segurança e eu tentava passar isso para mim e para os outros sozinha, em vão. Ficamos sozinhos no banheiro da minha casa enquanto eu chorava me obrigando a ter uma esperança.

Com intervalo de 2 em 2 minutos entre as contrações e já um pouco cansada, com mais dores, por volta de 9 da noite resolvi ir para o hospital para ver como estava a bebê.

Fui internada. Indo para o quarto, na cadeira de rodas (é norma do hospital), minha médica chegou. E chegou com ela seu marido, também médico, que disse: animada, heim? Quando vi seu marido eu senti um ódio grande de tudo, porque ela sempre faz cesáreas com ele. A minha médica veio preparada para a cesárea enquanto eu lutava contra.  

Mais um exame de toque dolorido, super dolorido que aumentou a dor da contração, bebê ok, enfermeira boazinha me dizendo que "graças a Jesus" ela teve 2 filhos com parto normal e eu teria também e largaram eu e Marco Túlio no quarto.

"Mas ninguém ajuda uma mulher que tá parindo aqui? Cadê o apoio moral, as palavras de força da equipe médica?", pensei. E já me senti derrotada.

1 hora depois a médica volta com a enfermeira, faz outro exame de toque extremamente dolorido e me sugere estourar a bolsa dizendo que era sua última alternativa. Segurei para não chorar. Aceitei então, sem esperanças, mas torcendo para que tudo ficasse bem. Eu já estava ficando cansada e percebi que o trabalho de parto não iria evoluir com tanta pressão em cima de mim.

Ela e a enfermeira abriram minhas pernas, cada uma segurando uma, porque como as contrações estavam fortes e com intervalos pequenos, eu me contraía muito. Forçavam e pediam para eu manter as pernas abertas e eu diza que não conseguia, pedia para esperar a contração passar. A Dra. disse que precisava estourar durante uma contração e, vai ver foi psicológico, as contrações sumiram. Desapareceram. O que ela fez? Apertou minha barriga, enfiou sua mão em mim, forçou, fez de tudo para voltar uma contração. A dor foi ficando grande, eu pensava na bebê, se tava tudo bem, se aquilo era correto, forçar contração?? A enfermeira falava que Jesus ia ajudar, a médica arreganhava minhas pernas e eu sentia muita dor. Finalmente ela estourou a bolsa e senti um líquido quente escorrendo e ouvi da Dra.: nossa, você quase não tem líquido. E saiu do quarto dizendo que depois voltaria. Antes de fechar a porta, olhou pra trás, disse para a enfermeira "depila ela" e deu as costas fechando a porta. “Depila ela”. Claro, pois ela precisava de mim depilada para a cesárea.

Quando a enfermeira saiu comecei a chorar novamente. "Pouco líquido, mandando me depilar, onde já se viu fazer tanta pressão para tirar o MEU DIREITO de escolha que ela mesma havia me dado?". Chorei desesperadamente e a tal da enfermeira voltou com aquelas lâminas amarelas para me depilar. De boazinha que só falava em Jesus, ela passou a ser uma pessoa de cara fechada, sem paciência que me machucou, me cortou enquanto me raspava e falava "fica de perna aberta que tá me atapalhando" e eu rebatia "mas tá doendo muito, não consigo ficar de perna aberta" e chorava. A dor era forte, MUITO forte. Doía a depilação, doía minha alma, doía as contrações, doía tudo. Enfim, ela perdeu a paciência, largou a lâmina e mandou o Marco Túlio terminar me depilar. Uns 40 minutos depois a médica voltou e eu pedi anestesia, porque ela havia me prometido que me daria caso tivesse muita dor. Mas ela disse algo como "não estamos mais dando anestesias assim aqui no hospital, foi proibido". Deu um sorrisinho tipo me consolando, pegou no meu ombro e saiu.

Levantei e fui para o banheiro com o Marco Túlio para tentarmos me depilar, mas a dor já era forte e eu fiquei no chão gritando e chorando de raiva, de ódio, de solidão, de desapontamento, de medo, de fraqueza, de impotência. Eu tinha tanto líquido que alaguei o banheiro inteirinho. Eu gritei tanto que o hospital inteiro deve ter me ouvido.

De repente minha mãe aparece e me vê naquela situação, no chão do banheiro, nua com aquela roupinha de hospital, chorando desesperadamente agarrada no meu namorado. Ela fica abismada, pergunta pra uma enfermeira que surgiu "Cadê a médica que largou ela assim?". A enfermeira desaparece, eu sigo gritando. Gritei pra deixar minha raiva nos ouvidos de todo aquele hospital.

Conversamos, eu e minha mãe, e aceitei que já não tinha mais saída, mas eu ainda insistia pra ver se Alice nascesse ali mesmo, no banheiro. Mas eu não fazia ideia de como estava a bebê, não sabia por quanto tempo aquele sofrimento iria continuar, se estava me fazendo mal ou pra bebê. A médica surgiu bem sem graça, afinal estavam meus pais no quarto com uma cara nada satisfeita. Fez mais um toque de merda dolorido pra caramba e sacudiu minha barriga dizendo: olha, ela tá alta, não vai dar normal.
Com sua mão me machucando por dentro eu gritei "Me leva pra cesárea, pelo amor de Deus, me faz uma cesárea eu não aguento mais!".

Não é assim que costumam dizer? Que a mulher não aguenta e acaba pedindo pra ir pra faca, não é? É assim que os médicos saem ganhando e comentam que “mais uma não aguentou e pediu a cesárea”. Foi isso que o marido dela havia me falado 15 dias antes, durante um ultrassom (ele que fazia os ultrassons). O fracasso fica sendo nosso, não deles. Para eles é uma vitória, mais um parto rapidinho ali e vamos embora pra casa.

Uma outra enfermeira, finalmente uma boazinha, me levou para o centro cirúrgico. Eu me sentia bêbada, já. Cansada. Em outro planeta.  Mas gritei tudo que eu podia gritar até receber a anestesia.
Não sei quem foi meu anestesista. Sei que ele demorou uns 20 minutos para chegar. Quando chegou, passou por mim, como se eu fosse invisível e foi pedindo as coisas que ele precisaria. Minha médica, sem graça, brincou que o anestesista estava com “tanta dó” de mim que foi logo preparando tudo e aproveitou para nos apresentar. Não me lembro seu nome. Mas quando eu disse “oi” ele mal levantou seus olhos pra mim e voltou a fazer o que estava fazendo. Só. Não disse nada, não sorriu, nada. Aliás, disse, totalmente sem paciência: “Chega a bunda pra frente e os ombros pra trás.” “Anda, me ajuda.” “Não tá dando certo, fica na posição certa pra eu conseguir. Fica quieta. Vamos.”

E enfiava a agulha na minha coluna. E não respeitava minha dor durante a contração que já nem tinha mais intervalo. E não tinha paciência.
- Carolina, você vai sentir uma dormência até mais ou menos nas costelas.
Quando de repente eu senti meu queixo e minhas mãos formigando.
- Moço, anestesiou meu rosto. Me ajuda aqui que eu não tô conseguido respirar.
Comecei a ter a sensação de que eu não conseguia respirar, por causa da anestesia que havia subido, mas eu não sabia disso. Fiquei assustada, porque me disseram que seria até as costelas e foi até o queixo. Ninguém me explicava nada. Eu pensei que fosse morrer, sério. Não conseguia puxar o ar e pedia ajuda. Ele só falava:
- Você tá respirando sim, fica quieta. Alá, ó, no aparelho mostra que tá tudo normal.
E fui apagando. E não tinha Marco Túlio, só os médicos. Eu quis vomitar e viraram minha cabeça pro lado:
- Traz lá uma toalha que ela tá falando que quer vomitar.
Eu só me sentia humilhada, mais nada. Com a anestesia eu sentia a ânsia de vômito, mas o vômito não vinha, eu ficava presa naquela ânsia incompleta. E viravam minha cabeça de um lado para o outro.
Não vi Marco Túlio chegando. Ouvi um choro de neném longe. Era Alice. Estava tudo escuro. Não me deram ela. Eu achava que iria pegar minha bebê quando ela nascesse. Não foi assim. Eu estava apagada. Colocaram ela do meu lado durante alguns segundos. A vi rapidinho, visão embaçada. O anestesista resolveu ficar bonzinho, deve ter sido pela presença do Marco Túlio. E apaguei. Dormi. Não vi muita coisa mais.

Hoje não gosto de ver as fotos, nem o vídeo dela ao nascer. Ainda me dói.
Mascarei isso tudo durante umas 2 semanas, mais ou menos. Tudo estava bem, parecia. Mas na terceira semana não deu mais e toda a dor do acontecido tomou conta.

Claro, agora está tudo bem.
Dizer que o que importa é que a Alice está bem em meus braços, por mais que dizem com boas intenções, não muda nada do acontecido, pois ela estaria bem de qualquer jeito (nasceu com Apgar 9/10). Não é assim que deveriam funcionar as coisas quando falamos de escolhas e RESPEITO.

Eu poderia ter cedido mais cedo, quando vi que não ia dar certo o que planejei para evitar tanto sofrimento pra mim? Poderia. Mas sabe quando a gente sonha e tem tudo para o sonho se realizar? Eu me forçava a ter uma esperança.


Minha médica poderia ter sido sincera desde o começo, dizendo que ela prefere partos cesáreas? Poderia. Ela tem todo o direito de ter sua preferência. Cada um faz suas escolhas e por não ter muitas opções, eu faria uma cesárea tranquila, me prepararia para isso. Mas não precisava me dizer uma coisa o pré-natal inteirinho para mudar de ideia na hora H.

E tirei várias lições, que foram graças a este acontecido (também não vou ficar choramingando a vida toda). Da próxima vez, se houver, irei atrás do que quero desde o começo e não ficarei na minha cidade pensando na família que gostaria de estar perto do bebê ao nascer. Da próxima, mesmo se for outra cesárea, se for normal, se for humanizado, farei da melhor maneira possível para mim.



Para quem não leu:
PRÉ-RELATO - SOBRE A MINHA DECISÃO AO PARTO NORMAL 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Pré-relato de Parto - sobre a minha decisão ao parto normal

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que não sou contra o poder de escolha de uma mulher em relação à via de nascimento de seu filho, muito menos contra mulheres que têm seus filhos em uma cesárea necessária, que evita sofrimento e até morte de ambos. Esse pré relato é para mostrar MEU ponto de vista e para uma reflexão, pois não quero mais ser chamada de “doida” por ser 100% a favor de nascimentos humanizados, onde mulheres têm seus filhos pela vagina. Eu pesquisei, eu me informem com profissionais, eu li relatos reais, eu vi vídeos, eu estudei, eu fiz a minha escolha.

Me lembro bem da época em que eu achava legal quem marcava datas de nascimento dos filhos. Era normal, e parecia emocionante escolher a data. Me lembro dos vídeos de bebês da família nascendo, dos médicos sorrindo e de achar normal a mãe lá deitada ouvindo de longe o choro dos bebê, que tinha um tanto de tubinhos sendo enfiados nele, que tinha suas mãozinhas procurando algo, tipo espasmos. Era interessante. Era tudo tão rápido. Pega bebê daqui, pega bebê dali. Vira bebê assim. Limpa bebê daquele jeito. Rapidinho, ligeiro, enfermeiras são tão acostumadas, que fazem tudo até de olhos fechados. “Bebês são resistentes mesmo, né?”. “Bom que quando crescem, nem lembram mais.” Sem falar nos vídeos de partos normais que eu assistia. As mulheres deitadas na maca, gritando, chorando e de repente o médico fazia um cortezinho lá na portinha de saída. Nossa! Que agonia aquele corte! Pra que passar por aquilo tudo se existe a tecnologia com cesáreas indolores? Sem falar no tanto de morte de mulheres que tinham parto normal. Um absurdo. Bebês que passavam da hora. Absurdo. Claro, não queria dores para uma gravidez, sou a favor da cesárea.

Sou a favor da cesárea? Sou mesmo? E então nasciam cachorrinhos lá em casa. Cadelinhas bem menores que eu davam à luz 3 filhotinhos. Depois estavam andando, carregando os filhotinhos, limpando, cortando umbigo. Sozinhas. E passavam 4 horas, vejam só!, nascia o último, que surpresa! Uma cadelinha com menos de 5 quilos conseguia esta proeza.

Como sempre fui fascinada em nascimentos, maternidade e bebês, fui pesquisar melhor. Comecei a conhecer um universo diferente. Primeiramente, deixei meu coração aberto para conhecer mais sobre partos normais. Deixei a lógica tomar conta de meu ser. Gente, espera, cadê o papel da Natureza? Minhas cadelinhas nunca marcaram data de parto. Quem somos nós para passar por cima disso? E me dizem que acreditam em Deus, que Deus é perfeito, mas por puro luxo e para não estragar as férias do ginecologista, escolhiam um melhor dia para nascerem os bebês (sei que muitas mães marcam sem nenhuma má intenção e por acreditar que estão fazendo o melhor, afinal têm o apoio – e incentivo – do médico). Então fui conhecendo estatísticas. Complicações no parto são maiores em cesáreas. Mas ninguém divulga. Por quê? E então aqueles vídeos de bebês sendo retirados das mães passaram a ter outra perspectiva pra mim. Era bebê chorando sem NENHUMA forma de carinho com médicos e enfermeiras fazendo tudo no automático.

Tudo fazia sentido. Os bebês, que chamamos de resistentes, choravam sozinhos, sem um porto seguro, sem a mãe, passando por procedimentos que para eles são assustadores. A enfermeira vai abraçar o bebê e dizer que tá tudo bem? O pediatra vai dar uma pausa para acalmar o choro assustado – sim, assustado - de quem a poucos minutos estava ainda ouvindo a voz da mãe no quentinho do útero? Não. Eles precisam agilizar o processo. Os bebês passam por sofrimentos sem necessidade. Comecei a me encontrar. As mães gritavam ao parir? Sim. Mas não era um grito de sofrimento. Era um grito de dor associada com poder. Você tem o poder de parir. Você comanda a transição do seu filho do útero até o mundo externo. Isso sim é natural.

Mas isso tem que surgir dentro da gente. Nunca devemos obrigar uma mãe a ter um parto normal se ela não se sente segura. E ela não se sente segura porque tem medo da dor, da morte, pois é isso que conhecemos.
E ao conhecermos os partos humanizados, encontramos vários problemas no caminho. Primeiramente, para ter um parto digno, você precisa de dinheiro ou então de sair em busca de locais de confiança, que fazem pelo SUS. Essa realidade ficou fora do meu alcance e do alcance de várias mães. Pois além de vermos cesáreas sem necessidade, vemos mães sendo violentadas em partos normais também, onde médicos não têm paciência, mandam parar de gritar, empurram barrigas, cortam períneos, estouram bolsas, tudo também sem nenhuma necessidade que só serve para piorar a situação.  E nos fazem acreditar que é isso o correto.
Ainda assim, decidi passar pelo risco de ter meu períneo cortado, pois eu sabia desta realidade, mas desejava que minha filha nascesse de parto normal, pois mesmo assim era a melhor opção. E combinei com minha médica também de analgesia, pois eu sabia que eu poderia ficar assustada, com medo, essas coisas que fazem aumentar a dor, já que ela não permitiu uma doula. Aceitei que eu poderia passar por algumas intervenções, mas eu queria muito ver minha filha nascer, poder pegá-la no colo no primeiro instante e dizer: calma, estou aqui.

E não foi nada disso que aconteceu comigo e com Alice. E foi aí que eu tirei uma lição que vou levar pro resto da vida.

Para finalizar, quero pedir que não chamem mais de loucas as mulheres que escolhem o parto normal, o parto natural. Precisamos acabar com essa mania. Quero pedir que reflitam mais sobre os poderes da Natureza. Quero pedir que usem a lógica para saber qual a melhor forma do bebê, recém saído do útero, ser bem recebido aqui fora. Pesquisem, leiam, deixem preconceitos de lado, se entreguem. E que a cesárea continue existindo para salvar vidas e não para ser fonte de renda fácil.


Gente, tamo falando de nascimento. Já pararam pra pensar no quanto isso é sério?

Se tem coisas que mais me faz chorar até hoje, são as fotos e os vídeos
do nascimento de Alice. E não é choro de emoção. É de dor ao ver
minha pequena sem amparo.
Esta é ela, acabada de nascer. Só parava de chorar ao ouvir a voz do pai. Ainda bem
que ele estava lá. Pena que não podia pegá-la. Pena.




Relato de Parto AQUI.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

5 meses de Alice

Super atrasada para falar dos 5 meses dessa menina.

Do 4° até agora, 5 meses e 16 dias, Alice passou por várias fases. Ela nadou, teve mania de botar língua pra fora, teve mania de fazer bolhinhas de cuspe, de fazer barulhinho com os lábios e começou a gritar. Agora tá na fase dos gritos e começou a voltar a conversar, só que mastigando a língua.
Não é de estranhar muito as pessoas, mas já deu alguns chorinhos em colos diferentes. Se está no meu colo ou no do pai, não chora pra ninguém, é só sorrisos. E vai no colo de todo mundo, quando sai do meu colo ou do colo do pai. Começou a aprender a se jogar pras pessoas. Quando vai com a cara de alguém, meio que se joga pra pessoa pegá-la.

Começou também a pedir pra ficar mais solta, então fica no chão brincando e rolando. Está ensaiando ficar sentadinha. Mas nas últimas semanas, nada a agradava. Enjoava de todos os brinquedos, vivia me dando bronca. Era só sair de casa e passava. Agora parece estar acalmando de novo.

E são 5 meses, já ao rumo do 6° mês, de muito aprendizado. De sentimentos confusos, de alegrias, de emoções, de sono, de dor nas costas, de prazer, de carinho, de maravilhas...

A maternidade é aquela fase em que nós mulheres nunca sabemos descrever o que realmente estamos sentindo. Sim, tá, é o maior amor do mundo, é isso, é aquilo. Mas isso todo mundo sabe, todo mundo fala. Isso é lindo. Mas na hora de falar de amor mesmo, as palavras somem. Será mais que amor? É aquele momento onde desejamos dar uma pausa para fazermos coisas com a liberdade de antes e ao mesmo tempo queremos voltar correndo pra vida atual. É aquele momento que você sabe que agora sim você daria a vida por alguém, sem nem pensar. Que você sabe que não precisa de mais nada, fim. É o momento da vida de uma mulher onde ela se doa por completo e conhece fontes de energia no corpo que parecia não existir. É coisa de milagre, de força da natureza, de natureza mãe. Tá vendo? Não dá pra explicar nada.

Isso porque são apenas 5 meses e 16 dias. E é pra eternidade.


Língua

Língua para todos

Opa!
Alongamento

Só pra eu lembrar que tenho pezinhos e mãozinhas fofas em casa

Tem dias que se veste de menininha

"Ah, mas essa Minnie é uma piadista!"

"Se virem pra dormir aqui comigo."

Legenda pra quê?

Doce Alice

Pra eternidade