sexta-feira, 22 de maio de 2015

Pertubação na Amamentação O DESFECHO

Depois do meu relato da Pertubação na Amamentação, várias mães em grupos que participo, por mensagem no Facebook, pessoalmente e aqui nos comentários me disseram ter passado por isso. Incrível como falamos pouco, seja por vergonha ou medo dos julgamentos, sobre a parte ruim das coisas lindas da maternidade. 

Vemos mais depoimentos de sucesso do que de "fracasso". Mas quando alguém resolve falar, a mais ativista índia que defende a amamentação até 10 anos aparece dizendo que também não conseguiu.

Eu achei MUUIITO bom ler tudo que me escreveram. Nossa, não me senti mais um monstro, me senti normal. E me ajudou também a ter calma e pensar "vai passar".

E passou.

Passou muito rápido. Poucos dias depois da postagem do texto, passou. 

Com os depoimentos das mães que superaram, eu me espelhei e deixei ainda Alice vir mamar. Mas eu falava: vai ser bem rapidinho, viu? Quando o ódio vinha surgindo eu fechava os olhos, ou olhava bem pra ela e pensava que logo não iria sentir aquilo. E logo ela largava o peito e ia correr ou fazer outra coisa. E assim foi indo, até que ela mesma pegava o peito, achava estranho e largava rapidamente. E então ela não pediu mais. Me vê sem blusa, sem sutiã, deita perto dos seios e nada de querer mamar, de sentir tentação, de regredir, nada disso. Se aconchega e fim. 

Parecia que não ia ter fim meu sofrimento, mas não é que teve?

Obrigada a todas vocês!!! Depois de conflitos que eu não conhecia, vivenciei um desmame mais calmo e tranquilo

Obrigada mesmo!

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Pertubação na Amamentação: relato

Postagem grande e sem fotos, porque tem sido difícil:

Eu tinha na cabeça uma postagem bem legal sobre o andamento da gravidez e a amamentação da Alice.  Mas, como dizem, a vida é uma caixinha de surpresas e de repente a parte legal se foi.

Assim que descobri que estava grávida novamente, foi aquela mesma emoção. A gente já estava com o desejo aparecendo e logo apareceu a gravidez. No geral, todos ficaram bem felizes e como previsto, a dúvida dos outros em relação à amamentação surgiu e eu passei uns 30 dias DIRETO falando que estava tudo bem e que não tinha problema. Sucesso. Segui me preparando para amamentar toda a gravidez e amamentar dois após o nascimento do neném.

Gravidez indo e percebo uma mudança na produção do leite: começou a diminuir. Logo corri em busca de relatos e vi que algumas mães paravam de amamentar por causa da sensibilidade dos mamilos, o que causa muita dor, ou porque os bebês mais velhos simplesmente enjoavam do leite. Resolvi conversar com uma mãe por mensagem e ela me disse que o leite secou praticamente de um dia para o outro, então ela e a filha sofreram muito com a mudança brusca.

Como meu leite estava diminuindo aos poucos, depois de ficar desesperada e analisando se eu já dava outro leite em mamadeira, se eu dava chupeta (olha eu delirando com chupeta de novo), vi que nada disso era necessário e resolvi prevenir ficando durante uns 3 meses oferecendo água para Alice antes do peito, tanto de dia, quanto de madrugada.

Até que Alice foi largando o peito sozinha, por conta própria. Chegava de madrugada, dava goles de água, mamava um pouquinho e voltava a dormir. Passou a acordar umas 2 vezes no máximo e de repente só um toque com um balanço de leve nas costas a fazia dormir. E ela parou de mamar de madrugada. Durante o dia, só pedia o mamá antes do cochilo. E depois antes de dormir de noite. Raramente tinha umas sugadas no fim da tarde. E ela foi parando de mamar naturalmente.

Eu fiquei feliz! Todos os relatos de desmame natural e sem sofrimento que eu li eram verdade então! Não precisei deixar chorar, entregar pro pai. O que eu menos queria, que era vê-la gritando e eu recusando, não havia acontecido. Fiquei tão orgulhosa da minha conquista. Parabéns pra mim.

Até que.

Até que coincidentemente perto do início da Semana das Mães, onde tantos vídeos nos emocionam no Facebook, onde nossas amigas que têm filhos em escolinhas recebem presentes, onde a maternidade é a melhor coisa da vida a Alice resolveu que tem que mamar muito. Nisso, o tal dos "Terríveis 2", fase de birras e tal, apareceu com FORÇA. Ela já vinha mostrando um certo nervosismo em poucas situações, mas de repente passou a ser em quase todas as situações, do momento em que acorda até o momento em que acorda de novo. Ok, a gente dá mamá pra ajudar a acalmar.

Ok? Quando vi, leite zerado. Ah, mas o amor fala mais alto e muitas mães amamentam com o seio vazio até o nascimento do segundo bebê. Lindo. Minha cara, afinal, eu mais que ninguém luto pelo sucesso de todas na amamentação e desmame natural. Só que eu comecei a ODIAR, sim ODIAR a amamentar. Que isso? Essa não sou eu! Larga meu peito! Larga! Que saco, o que tá acontecendo???? QUE PORCARIA! Chorei, quis bater na Alice, agredi-la. A cada pedido de mamá, um desespero. ME LARGA, ME LARGA!!! Meu Deus, que sou eu????? EU nunca mais quero amamentar na minha vida. NUNCA MAIS!

O terror chegou. Gritos, birras. Não tenho mais pra onde correr. Tudo que eu menos queria começou a acontecer. Alice pegava o peito e eu via o rosto de todas as pessoas que ficavam falando que eu devia desmamar. Via todo mundo me julgando e falando "viu, vai tentar ser perfeita, devia ter desmamado há muito tempo" "você está fracassando nessa idealização de que amamentar é natural".

Fui analisar e vi que já tinha umas semanas que eu começava a pinicar durante a amamentação, para fazê-la dormir. Estava me sentindo escrava. O sentimento ruim queria dar as caras, mas logo passava. Eu ainda curtia o aconchego, o encaixe dela no meu colo então tava tudo certo. Ela foi largando naturalmente e estávamos numa rotina perfeita. Quando de repente tudo mudou.

A culpa pesava a cada vez que ela dormia e eu passava horas chorando e me sentindo um monstro. Sou um monstro por querer jogar Alice na parede quando a coloco no peito? Sim. Deixava ela chorando, gritando e gritava de volta.

Me lembrei que um dia li algo sobre mães que passam por um momento ruim ao amamentar e fui pesquisar: PERTUBAÇÃO NA AMAMENTAÇÃO. Finalmente achei tudo que eu estava passando e que muitas mães passam, mas poucas revelam. Resolvi expor essa crise aqui porque essa pertubação pode acontecer não necessariamente com grávidas e talvez esse meu relato possa ajudar outras mães. Ao ler os relatos e ver que não estou virando monstro, mas passando por uma fase difícil que pode acabar, tenho conseguido, desde ontem, deixar Alice mamar um pouquinho e não me irritar. Ainda é muito difícil, mas depois de ontem de madrugada, onde ela gritou MUITO com o pai tentando acalmá-la e nada resolvia, eu não quero essa sena de novo aqui. Não sei o que vou fazer, pois estou numa situação complicada, mas não posso vê-a gritando mais.

Por que ela, que estava desmamando sozinha e lindamente resolveu ter necessidade do peito outra vez? Por que eu, que amava amamentar, passei a ter essa pertubação? Eu não sei. Sei que tudo que existe nessa maternidade passa por aqui: dor do trabalho de parto, dor da cesárea, baby blues, TODOS os picos de crescimento existentes, TODOS os sintomas de gravidez existentes, desmame com sucesso, desmame com sofrimento, TUDO, TUDO passa por aqui. Ô vida!

Algumas soluções pra essa questão da Pertubação na Amamentação: descansar, comer bem, ter um tempo para si mesma, deixar a criança com alguém sem culpa, para você poder relaxar, principalmente se estiver grávida. Realmente eu não tenho descansado nem tirado nenhunzinho tempo para mim. Não tenho feito muita coisa por mim, a não ser arrumar casa, cozinha, casa, cozinha, casa, cozinha, coisas que eu amo fazer, mas acho que estou exagerando.

Eu espero muito que isso passe. Eu já estou quase no limite. Estou analisando com marido as soluções, estou meio perdida, não sei o que fazer. Sentimento de fracasso, de culpa, toda hora vem um.

E deixo aqui mais um relato de maternidade real e um aprendizado para mim mesma: não confie em mães de sucesso no Facebook e não crie expectativas com elas. Há sempre uma dificuldade escondida e cada mãe tem sua história.

Depois conto o que tem virado essa minha nova fase da maternidade.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Novo Baby Fruta

Depois que Alice deu uma boa crescida e não dava mais para chamá-la de alguma fruta e depois que ela começou a entrar na transição de bebê para criança e a vida ficou bem mais fácil, outro (a) Baby Fruta apareceu.

Que coisa, né? Será que sou um Hortifruti?

16 semanas, ou algo assim nessa contagem.

Tamo quase no quarto mês e finalmente estou melhorando dos vômitos, enjoos, humor péssimo, sono, etc.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Tendo filhos em Ituiutaba

Ituiutaba fica no interior de Minas. É aqui onde nasci, cresci e tenho vivido.
Cresci ouvindo que Ituiutaba é um fim de mundo, que em Ituiutaba não tem nada, que em Ituiutaba ninguém vai pra frente. Então, quer viver bem? Caia fora de Ituiutaba o quanto antes!

Até caí fora daqui uns tempos. Nada muito longe, logo ali em Uberlândia. Pela minha idade, a única coisa que Uberlândia trazia de diferente eram as festas. Realmente em Uberlândia tinha muito mais festa. Tinha namorado. Tinha novas amizades. Ah, que beleza de Uberlândia! Até que percebi que nem só de festas e namorados vive uma pessoa. Até que vi os moradores de lá dizendo que "Uberlândia era uma bosta de gente chata e atrasada!". Algo me incomodava, eu não estava feliz e precisei voltar para Ituiutaba. Aqui tinham meus pais, minhas cachorrinhas, amizades antigas e dava pra continuar vendo o namorado. Uai, até que dá pra viver em Ituiutaba. Transferi a faculdade pra cá, consegui o primeiro estágio onde as pessoas eram inteligentes! Uau! Tem gente inteligente em Ituiutaba!

E com o passar do tempo fui aprendendo a valorizar minha cidade. Sim, aqui falta muita coisa, faltam mentes mais abertas, faltam mais opções de lazer, mas onde é que não falta nada e tem tudo?

Engravidei e achei que agora eu tava enrolada mesmo. O que fazer com crianças aqui? Custa a ter uma peça de teatro nesse fim de mundo! E lá foi eu encontrar 1001 defeitos na minha Ituiutaba.

Então eu parei de trabalhar, o tempo foi passando, as contas apertando e eu tendo que ajudar a colocar dinheiro em casa trabalhando em casa, já que eu me propus a tentar até minhas últimas forças a não voltar a trabalhar fora. "Ah, porque se em Ituiutaba pagassem melhor o marido, tudo ia ser perfeito."? Nada disso. Parando pra pensar, nunca antes estive tão rica. Vejam quantas coisas eu posso ter em Ituiutaba:

- Moro perto dos meus pais, tenho os dois vivos prontos para me ajudar (mesmo que às vezes eles achem que Ituiutaba não presta). A coisa apertou? Não consegui fazer almoço? Estou passando mal? Alguém pra me ajudar urgentemente com Alice? Tenho eles ali, logo 2 quarteirões abaixo.
- O Marco Túlio também tem seus pais vivinhos, então temos, sempre que precisarmos, quatro opções de avós para Alice.
- Tenho dois supermercados por perto, que dá pra ir à pé. Um na rua de baixo e outro na de cima.
- Tenho um sacolão 4 casas pra baixo da minha.
- Descobri um lugar super legal onde se leva bebês para brincarem com tinta, terra, música, histórias... QUE DIA EU PODERIA IMAGINAR ISSO EM ITUIUTABA?
- Todo sábado de manhã tenho a opção de levar Alice para brincar, sem custo, numa loja de brinquedos, aqui, 2 quarteirões acima da minha casa. Tem música, histórias, pintura...
- Durante as manhãs, eu e Alice vamos no quarteirão de cima olhar uns cachorros que estão vigiando uma casa em reforma. Aproveitamos também para sentar na calçada e rabiscar o chão com pedaços de cimento.
- Tenho uma vizinha que deixa sua cachorrinha na garagem e de vez em quando vamos lá ficar vendo a cachorrinha também.
- Moramos numa casa antiga, mas que tem um quintal até legal. Alice fica lá mexendo com água, terra e grama ou rabiscando as paredes com carvão.
- Poderíamos realmente trabalhar mais para termos uma vida melhor, mas por enquanto preferimos poder sentar no chão com Alice todos os dias, já que temos a oportunidade de sermos socorridos com comidas pelos nossos pais. Por enquanto, comida é o que importa. Sei que muita gente não tem essa oportunidade, por isso não julgo.
- Quando eu acho que não dá mais, que o calor daqui tá insuportável, que chegou a hora de eu voltar a trabalhar fora, que não tenho mais criatividade para distrair Alice, cai uma chuva, o tempo refresca e tem um dinheiro sobrando pra gente comer fora e descansar um pouco. E logo depois descobrimos que num bairro distante tem uma praça super bonitinha, com sombra, árvores e muito cachorro pra Alice se divertir.
- E o custo de vida aqui não é alto.

Durante o passar dos anos, chegou aqui a UFU (Universidade Federal de Uberlândia), IFTM (Instituto Federal do Triângulo Mineiro), uma universidade que era particular estadualizou e, a grande novidade de 2015, inaugurou o primeiro shopping! Quantas novidades Alice e seus futuros irmãos poderão usufruir por aqui.

Muitas vezes reclamamos de barriga cheia. Acredito que raramente seja necessário largar tudo e tentar vida fora. O primeiro passo é ver como estamos com a gente mesmo. Criar raízes, ter uma base, é extremamente importante. Aí sim, talvez pode ser a hora de mudar. Quando vejo que estamos conseguindo educar um ser humano em Ituiutaba, acho incrível! Nunca imaginei que isso seria possível, sendo que cresci ouvindo que teria de ir embora daqui.

Todo lugar é bom. Não é preciso sair correndo de Ituiutaba ou de qualquer cidade. Se falta alguma coisa, vai lá, busca fora e volta. Retornar é bom. Fique bem, não use filhos como desculpas para correr e acredite: se você está bem consigo mesmo, qualquer lugar é bom. Do contrário, nenhum lugar "trará futuro".

Alice sendo caipira do interior

sábado, 10 de janeiro de 2015

Desmama essa menina

Tibiga, minha tia-bisavó de 97 anos, esses dias, ao ver Alice mamando em mim, me disse:
- Você ainda tem muito leite?
- Tenho. Mama em um e vaza em outro até hoje.
- Que bom. Tinha uma prima que deu mamá até o filho dela fazer 6 anos. O médico falava que podia dar enquanto tiver leite.

Dr. Fulano, um médico otorrino de 30 e poucos anos, ontem, ao me receitar uns remédios para uma infecção que eu tive dentro do nariz, me disse:
- Vou te passar um monte de remédios pra isso aí.
- Ah, tah. Mas eu amamento.
- Ixe. Qual a idade do bebê?
- Tem 1 ano e 4 meses. - respondi cheia de pus, sangue e lágrimas.
- Que isso! Ela tá grande, não precisa mamar mais. Então para de dar mamá. Com um dos remédios não pode.
- Mas não tem como eu parar de dar mamá. Tem alguma outra opção? - ainda cheia de lágrimas escorrendo por causa do corte, da forma grosseira como foi feita o corte sem anestesia no meu nariz, que escorria sangue e pus.
- Não. Você tem que parar amamentar. Então para só enquanto tomar o remédio.
- Mas eu fico com ela o dia todo. Não é simples assim.
- Então dá uma vez por dia e já prepara pra desmamar. Ela tá grande. Vou diminuir a dosagem e você dá mamá no máximo 2 vezes por dia. Ah, e pra dor, não toma Novalgina normal que você tem em casa não. Toma Novalgina com sabor Sprite, bem melhor.

E saí da clínica cheia de patrocinadores em cada canto (inclusive a marca da tal Novalgina de Sprite) com 6 remédios prescritos, que dariam em torno de R$100,00 na farmácia. Chateada, ainda com lágrimas, sangue e pus, corri numa farmácia homeopática em busca de uma luz que substituísse pelo menos uns 3 remédios daquela lista e eu pudesse seguir amamentando como sempre fiz. Chegando lá, fui atendida pela farmacêutica responsável.

Pasma com o tanto de remédios, me perguntou como começou o problema no nariz, como foi o corte e foi fazendo as anotações de substâncias para meu preparo homeopático:
- E quantos meses tem a bebê?
- Ela tem 1 ano e 4 meses.
- Ahhh, Então você pode desmamar já, menina! Dá mamadeirinha e põe coisa amarga no peito. - disse ela, que um dia me vendeu um preparo para aumentar a produção de leite no comecinho difícil da amamentação.
- Não tem como eu desmamar.
- Eu sei, vai doer o peito desmamar de uma hora pra outra. Então pode tomar esse remédio que vou manipular, mas vai desmamando, viu?
- Viu. Muito obrigada.

Posso sair desse mundo ou voltar pra 1930, onde o médico tinha dito que podia amamentar enquanto tiver leite?

Por que implicam tanto com amamentação após 1 ano? Não só amamentação, vejo também mães, cujos filhos usam chupetas e mamadeiras, passando por pressões para tirar esses acessórios.
Talvez porque nem todos saibam, mesmo aqueles que se dizem médicos, que a OMS recomenda amamentar até 2 anos OU MAIS. Talvez nem todos saibam que bebês e crianças sentem necessidade de sugar, então se não tem peito, pode ser chupeta, mamadeira, dedo...
E tem também aquele negócio, a criança fica o dia inteiro com a chupeta na boca, depois toma leite na mamadeira. Isso pode. Mas mamar o dia inteiro não pode??? Ah, doutor otorrino, não existe nenhum, nenhunzinho remédio que poderia substituir aquele e eu pudesse seguir amamentando normalmente? Com tantos patrocinadores dentro daquele consultório, saí com a recomendação de amamentar no máximo duas vezes por dia, já ir desmamando e tomar Novalgina sabor Sprite. Nada poderia ser feito, não existe outro remédio, outra solução.

Enquanto grávidas, aprendemos sobre amor, aconchego e os médicos acham lindo o feto mamando dedinho dentro da barriga. Depois que nasce não pode dar colo, não tem leite suficiente, não pode deixar no peito mais que 20 minutos, não pode deixar o bebê chupar os dedinhos. Não pode e não pode. Fez 6 meses??? Corre pra começar o desmame. Fez 1 ano??? Desmama senão você fica desnutrida e o bebê muito inseguro e dependente.

Chega desse mundo chato. Chega de mandar tirar peito, tirar chupeta, tirar mamadeira, tirar dedo. Deixem os bebês sugarem! Deixem as crianças serem crianças. Sei que a gente sempre fala de outra mãe. Não importo que achem feio Alice ainda mamar, que achem feio criança de 3 anos mamando, cada um tem um gosto, cada mãe faz de um jeito, eu falo de várias, várias falam de mim e por aí vai. É melhor falar nas costas certas coisas, comentar com o marido, com uma amiga que a mãe tal faz isso ou aquilo do que chegar na cara da mãe e encher o saco com opiniões sem fundamentos. Deixem as mães serem felizes como elas escolheram ser. Aliás, deixem os seres humanos serem felizes, né?


Brincou

Fez careta

Mamou


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

1 ano e 3 meses

O segundo mês de vida nascida da Alice foi super intenso pra mim.
Um ano depois, com 1 ano e 2 meses, a intensidade se repetiu. Mas agora eu já sei que tenho "leite suficiente", além dela comer e não ser amamentada exclusivamente, já sei ficar noites em claro sem surtar e já sei que vai passar.

Preciso registrar o 1 ano e 2 meses da Alice porque foi bem marcante:

- Ela andou de vez. Sozinha. Confiante. Sem ajuda. Nunca pensei que fosse tão bom ter um filho andando. Aliás, nunca pensei que fosse tão bom ter um filho hahahaha. Já pode trazer o segundinho? :P
- Ela começou a comer BEM MAIS. Ela sempre comeu bem do jeito dela. Quatro a cinco colherzinhas, ok. Satisfeita. Agora ela quase rapa os pratinhos que oferecemos. Come tudo de frutas, verduras, arroz, feijão. Não é de recusar. Tem a fase de enjoar de algo, mas passa com uma semana.
- Sabe espetar com o garfo e levar o garfo à boca. Com a colher ainda cai comida pelo caminho.
- Aparece andando na cozinha com algo na mão para me mostrar.
- Adora seus livrinhos de história e já tem feito suas leituras sozinha (numa linguagem diferente, claro. Idioma exclusivo dela. Mas de vez em quando ouço "ó au au", "piupiu", "nenéééém".
- Degustou de bolacha recheada babada, oferecida por outro bebê. Ela fez uma carinha tão boa e o bebê foi tão educadinho em oferecer, que deixei. Até chocolate ela já provou nessa divisão babada de bebês. Então ela resolveu oferecer a mandioca babada que eu dei a ela, mas acho que o bebê não gostou.
- Tem ficado super carinhosa, não tem o hábito de dar tapas. Ela vê outro bebê, chega abraçando e beijando.
- Pega no lápis/caneta pra desenhar como se fosse algo que sempre fez na vida.
- Ainda não assiste TV, mas experimentei colocar uns filmes pra ver se ela iria se interessar e ela só gostou da parte musical. De resto, prefere brincar com a gente mesmo.
- Ama de paixão a nossa cachorrinha.
- Começou a dormir a maior parte da noite (sempre acordando) em seu quartinho, na sua cama. Acorda e desce da cama sozinha, e sai andando pela casa. Até quando acorda na minha cama, que é alta, ela já desce e sai andando sozinha.
- E ela ganhou um sorteio no blog da Susy! Seu primeiro sorteio e foi sorteada!! Bom que veio mimo pra mim junto :D

E entre tantas coisas apaixonantes, que faz a gente se derreter, tem também as coisas difíceis, que faz a gente ter medo de outros filhos:

- A maioria das noites desse último mês foram difíceis (acho que sempre foram...). Foi esse um dos motivos para eu levá-la para o quarto dela, porque eu pensei "se durante o dia ela chega a dormir quase 3 horas seguidas no quartinho dela, de noite vai dormir umas 7 horas seguidas!!!!". Pobre de mim. ha ha ha. Enfim, levamos a cama dela pro quartinho, arrumamos, ela adorou, mas não adiantou muita coisa. Ela continuou acordando e eu levantando e muitas vezes apagava e acordava espremida na cama com ela. Mesmo assim ela continua lá até eu cansar e voltar com ela pra minha cama mesmo.
- Grudou no peito mais ainda. O peito é tudodebomamiga pra ela. De dia, de noite, de tarde e de madrugada. Nunca antes eu delirei tanto com chupetas. Eu e Marco Túlio um dia vimos uma chupeta no supermercado e nossos olhos brilharam. Queria comprar todas. Aí eu pensei que se ela não usou chupeta até agora, vou aguentar mais um pouco, não é mesmo? Ah, mas agora não tem perigo de desmamar mais, vou comprar sim. Ah, mas depois pra tirar vai ser um sufoco, aguenta mais. Ah, mas é tão bonitinha essa chupeta....  Uma loucura.
- Como adora ir pra rua passear, mostrou que é capaz de incríveis gritos e protestos por ficar em casa. Tipo birra. Apesar da cabeça doer, muitas vezes acho engraçado e rio escondido. Ela tá certa mesmo. Já explorou a casa inteira, o que mais resta pra fazer? RUA! Não tem rua? GRITOS. E assim vamos levando e haaaaaaaaaaaaaja criatividade pra inventar coisas pra fazer dentro de casa. Tem dias que é muito difícil, mas tem dias que é realmente muito bom e gratificante.

E pra finalizar, fotos, que fiz com o celular, pra registrar :)

Essa imagem recebi num grupo do Whatsapp e morri de rir!
Tipo o delírio mesmo com chupeta.

Alice abrindo os presentes do sorteio da Suzy.

O mimo que veio pra mim!

Umas anotações durante o almoço...

Mais anotações...
Cuidando da horta de casa

Apesar dela viver de fraldas, tem dias que é puro luxo! Adora
pegar sua bolsa e ir passear.





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Vivendo o "não sucesso"

Esses dias eu estava passando roupa e vi que eu estava feliz.

Como poderia eu, Carolina, estar feliz passando roupa e trocando fraldas? Antes, felicidade era ter uma carreira de sucesso (qual carreira eu queria, afinal?), dinheiro (que tanto de dinheiro na conta, afinal?), e liberdade em me relacionar sem compromisso sério com os homens desta vida (Marco Túlio, ainda temos que rever essa parte hahahahaha BRINCADEIRAAAAAAAAAAA#sopradescontrair #naomedeixe #seueupossovocepode #masagoranao #monogamiamodeon).

E essa tal da felicidade chique bem sucedida profissionalmente me atormentou - e ainda atormenta - durante muitos anos da minha vida, afinal, eu ouvia sempre de minha família (principalmente das mulheres) que eu nunca deveria depender de marido, que eu precisava ter meu dinheiro, etc. Mas, como já comentei aqui várias vezes, a profissão, ser mulher moderna com terninho e braços cruzados em capa de revista, nunca me trouxe a satisfação pessoal/profissional que tanto propagavam.

Sou feliz, inteligente e tenho meu big salário.


Ainda grávida, na reta final, comentei com minha vó e uma tia que eu não sabia se iria conseguir voltar ao trabalho após o fim da licença. Elas ficaram horrorizadas, disseram para eu não fazer isso, porque depois eu iria me arrepender e ficar "velha", que seria difícil arrumar um emprego novamente.

E me lembro bem do medo que eu estava em contar para meu chefe da gravidez. Tinha receio dele achar ruim, programar uma demissão pra depois de um tempo, ficar inconformado com eu passando mal e perdendo alguns dias de serviço pra vomitar.

Me lembro bem também de ficar louca pensando em babá ou creche porque eu, uma mulher super ativa, jamais conseguiria ficar em casa "cuidando de menino" o dia todo e logo precisaria voltar a trabalhar para refrescar minha cabeça.

Sabe qual a verdade?
A verdade é que esse "não sucesso" de ficar em casa limpando catarro de menino o dia todo, com barriga no fogão, na pia e ferro de passar roupas na mão é um dos serviços MAIS IMPORTANTES que eu já vi na vida. E hoje, com tantas lutas feministas por aí, esse serviço de dona de casa foi colocado como ruim e sem futuro. Ele foi esquecido. Percebo que a luta por direitos iguais acabou desvalorizando o papel da mulher em casa. É bem mais chique você dar mamadeira, ter babá, emprego e horário na academia do que botar peito pra fora, botar menino no peito e conviver com barriga molenga pós-parto.
(atenção mães que dão mamadeira, isso é apenas um exemplo, pois sei muito bem que muitas não conseguiram amamentar e passaram madrugadas preparando mamadeiras infinitas, o que também é uma grande dedicação)

Sabe qual outra verdade?
Meu chefe sorriu e me desejou parabéns quando eu disse que estava grávida. Entendeu minhas faltas e nunca me criticou por elas. Minha vó e minha tia, vendo a Alice crescer, se esqueceram do mercado de trabalho e pararam de me perguntar quando é que eu iria voltar a trabalhar. As lutas feministas, sem radicalismo, por direitos de escolha, incluindo escolher ficar em casa praticando maternidade e cozinha, me trouxeram um abraço e força pra continuar.

Mais outra verdade verdadeira.
Não é fácil, pois toda escolha traz uma consequência. Mas ficar das 8 às 18 trabalhando fora também não é fácil. Nada é fácil. Então depende da gente, da nossa sanidade e do apoio dos nossos queridos familiares sermos felizes com nossas escolhas.
Aqui em casa, o Marco Túlio também limpa catarro, troca fraldas, lava roupa ou trás comida de fora quando eu não dou conta. E me ajuda com algum serviço que pego pra fazer em casa. Se não fosse isso, eu não sei se estaria feliz.

É que somos uma família e ser família é isso. Juntos, buscamos nosso equilíbrio. Juntos, sabemos o valor de cuidar de um lar, o valor de uma dona de casa, de uma criança que cresce debaixo de nossas asas.

E pra finalizar, a última verdade.
Muitas vezes sinto saudade, grandes saudades de trabalhar fora, ter aquela outra rotina onde eu conversava com as amigas no café, falava de vários assuntos, atendia os clientes, via gente diferente todo dia. Muitas vezes sinto grandes saudades do meu salário, de sair para fazer compras, de saber quanto iria cair na minha conta, de ter minha autonomia financeira tranquilamente.

Porém, eu sei que vai passar. Eu sei que não vou ficar "velha" sem emprego e que ainda poderei voltar ao mercado, se as contas apertarem e for preciso. Aprendi um desapego de coisas materiais que nunca imaginei. Amadureci e cresci muito. 

Sem terninho e sem big salário. E-sem-catarro. :P


Eu perdi o medo de arriscar. Perdi inseguranças. Vi que a vida é longa, mesmo que acabe amanhã, que nunca é tarde, sabe? Há sempre um recomeço. Assumi que sou feliz assim, nessa minha fase atual. Quebrei muitos preconceitos do tipo "cozinhar pra marido? Jamais!".

O meu egoísmo diminui a cada dia. O que queremos levar dessa vida? Há tanto pela frente.
O bem material, o dinheiro, são ótimas coisas. Sei que na hora certa voltarei a tê-los como antes, ou até mais, ou até menos, quem sabe? Mas não são mais finalidades e objetivos de vida como antes. 

Deixo aqui para vocês esse antigo vídeo, que desde seu lançamento mexe comigo. Ele diz tudo e sempre me abraça para continuar seguindo: